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A dor no joelho da Josefina

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  Quando era criança, a Josefina gostava de brincar, rir, saltar... enfim, de ser criança. A mãe, nem sempre muito favorável a estas demonstrações de energia, chamava-a constantemente à atenção para que não se magoasse. Mas, um dia, a Josefina magoou-se a sério. Teve uma queda grave e precisou de ser operada ao joelho. A operação correu bem. E os médicos, brincando com ela e com a mãe, diziam-lhe que o joelho tinha ficado melhor do que estava antes. E a Josefina foi crescendo. Mas, de vez em quando, o joelho doía-lhe. E, por vezes, doía muito. Consultou vários médicos e despistou todas as possíveis causas para aquelas dores. Mas a resposta era sempre a mesma: estava tudo bem com o joelho. Nada justificava as dores que ela dizia sentir. Curiosamente, já em adulta, essas dores pareciam surgir com mais intensidade em determinadas situações. Quando precisava de fazer mudanças na sua vida, tomar decisões difíceis ou arriscar um pouco mais, o padrão repetia-se. Mas a Josefina nunca atrib...

Nunca mais me esqueci do que aquele miúdo me disse...

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  Era um miúdo que estava fechado para o mundo, isolado nos seus ecrãs entre jogos, vídeos e outros conteúdos mais ou menos inúteis. “10 a 12 horas por dia...” dizia-me ele. “Às vezes mais!” Enquanto eu tentava sensibilizá-lo para a vida e para o mundo que lhe estava a passar ao lado, respondeu-me: “O mundo pouco me interessa... As pessoas não prestam...” Fiquei a pensar naquela frase durante muito tempo. Afinal, o problema não eram apenas os ecrãs. Os ecrãs eram o refúgio. A verdadeira questão estava na forma como aquele jovem olhava para o mundo e para os outros. Quando alguém deixa de acreditar nas pessoas, deixa também de acreditar em muitas das experiências que tornam a vida rica, significativa e humana. Talvez tivesse sido magoado. Talvez se tivesse sentido rejeitado, incompreendido ou desiludido demasiadas vezes. Não sei. Mas sei que, quando perdemos a confiança nas pessoas, começamos a trocar a complexidade das relações pela facilidade absorvente dos algoritmos. E, sem darm...

*Desfusão Cognitiva

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A Desfusão Cognitiva: Quando Percebemos que Não Somos os Nossos Pensamentos Todos nós pensamos. Constantemente. Pensamos acerca de quem somos, do que fizemos, do que deveríamos ter feito e do que poderá acontecer amanhã. A mente humana é uma extraordinária máquina de produção de pensamentos. O problema surge quando deixamos de distinguir entre os pensamentos que temos e a pessoa que somos. É neste ponto que a técnica da desfusão cognitiva se torna particularmente valiosa. O que é a desfusão cognitiva? A desfusão cognitiva é um processo através do qual aprendemos a observar os nossos pensamentos em vez de nos confundirmos com eles. Quando estamos fundidos com um pensamento, não o vemos como um pensamento. Vivemo-lo como uma realidade. Por exemplo: "Sou um fracasso." Quando estamos fundidos com esta ideia, não questionamos a sua validade. Simplesmente assumimos que é verdadeira. Mas quando ocorre a desfusão, a experiência muda: "Estou a ter o pensamento de que sou um frac...

Para além do julgamento

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  É importante praticarmos a nossa maravilhosa, talvez divina, capacidade de olhar para além do óbvio e das certezas, por trás da cortina das verdades absolutas ou dos entendíveis preconceitos. É importante lembrarmo-nos desse nosso fantástico poder de conseguir ver as escondidas, envergonhadas ou tristes verdades nos pormenores, nos detalhes, nos subtis sinais. É importante reconhecermos esse nosso grandioso e maravilhoso poder. Ele mostra-nos o caminho, a essência, a luz. Mostra-nos aquilo que as aparências escondem, aquilo que as palavras calam, aquilo que os medos tentam disfarçar. É esse olhar que nos permite encontrar a dor por trás da agressividade, o amor por trás da rigidez, a esperança por trás do desalento e a humanidade por trás de cada máscara. Quando aprendemos a ver para além do que é mostrado, começamos a compreender mais profundamente. E quando compreendemos mais profundamente, deixamos de julgar tão facilmente. Talvez seja aí que a sabedoria começa: na coragem de ...

Perdidos...

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"Quando não soubermos mais o que fazer, chegaremos ao nosso verdadeiro trabalho. E quando não soubermos mais que caminho seguir, começaremos a nossa verdadeira viagem." -Wendell Berry . . . Passamos uma grande parte da vida a acreditar que temos de saber. Saber o que queremos. Saber para onde vamos. Saber qual é a decisão certa. Saber qual é o próximo passo. E, por isso, quando nos sentimos perdidos, assustamo-nos. Interpretamos o vazio como um erro. Interpretamos a dúvida como um fracasso. Interpretamos a ausência de direcção como um sinal de que algo está errado connosco. Mas talvez não seja assim. Tantas e tantas vezes o vazio é sinónimo de caminho aberto. Tantas e tantas vezes a sensação de estarmos perdidos é, afinal, a experiência da liberdade. Porque aquilo que nos desorienta não é a falta de caminho. É a perda dos mapas antigos. E quando os velhos mapas deixam de funcionar, quando as respostas habituais já não respondem, quando os destinos que antes pareciam fazer sen...

Despertar

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  "Despertar é um pouco assim como ficar sóbrio e passar o resto da vida num bar onde toda a gente continua a beber, bastante alcoolizada, bebendo cada vez mais e agindo de forma estranha por causa disso.  E aí você vai-se perguntando porque é que não está a participar no que está a acontecer. Nessa altura chega mesmo a pensar que você próprio é um pouco estranho." - Adyashanti . . . Despertar é perceber o tanto daquilo que somos que, afinal, não faz parte de nós. É começar a distinguir entre a nossa essência e tudo aquilo que fomos aprendendo a ser para sobreviver, agradar, pertencer ou corresponder às expectativas dos outros. É um caminho de regresso. Um caminho ao encontro daquilo que em nós é mais puro, mais autêntico, mais descondicionado. E esse caminho pode ser profundamente solitário. Porque, à medida que a consciência se expande, começamos a ver coisas que antes não víamos. Começamos a questionar aquilo que antes parecia normal. Começamos a sentir que certas formas d...

A Ilusão do Controlo

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Há pessoas que passam grande parte da vida a tentar manter tudo sob controlo. Planeiam, antecipam, organizam, prevêem. Procuram reduzir ao mínimo a possibilidade de erro, surpresa ou imprevisto. E, muitas vezes, acreditam que fazem isso porque são responsáveis, cuidadosas ou simplesmente porque gostam que tudo corra bem. Mas, por vezes, existe algo mais profundo. Porque aquele que sente uma necessidade constante de controlar nem sempre está a tentar controlar o futuro. Muitas vezes, está apenas a tentar evitar reencontrar um passado que ainda dói. E é curioso como a mente aprende a proteger-nos. Depois de certos momentos difíceis, de algumas dores que ficaram por resolver, de experiências que deixaram marcas invisíveis, ela começa a associar o inesperado ao sofrimento. Como se cada surpresa transportasse consigo uma ameaça. Como se cada mudança pudesse abrir novamente uma porta que se desejava manter fechada. E então, sem se aperceber plenamente disso, a pessoa começa a vigiar a vida. ...