O vazio e a vontade de sermos amados
Quando na nossa infância, por alguma razão, não recebemos a expressão de amor, carinho ou afecto de que necessitávamos, pode ficar em nós uma memória emocional de vazio. Por vezes é discreta e quase imperceptível; outras vezes manifesta-se como uma saudade indefinida, um sentimento difícil de explicar, mas que nos acompanha ao longo da vida. E, sem nos apercebermos, podemos começar a procurar fora de nós aquilo que, em tempos, sentimos ter faltado dentro de nós. Surge então uma pessoa, uma situação ou uma promessa que parece encaixar exactamente nesse espaço antigo. Algo em nós desperta. Sentimos entusiasmo, esperança, encantamento. Como se, finalmente, estivéssemos prestes a encontrar aquilo que sempre procurámos. Nesses momentos, é fácil esquecermo-nos de nós próprios. É fácil começar a dar cada vez mais atenção ao vislumbre daquilo que desejamos encontrar e cada vez menos atenção aos sinais da realidade. E, enquanto tentamos confirmar que aquela promessa é verdadeira, podemos acabar...