Mensagens

Perdidos...

Imagem
"Quando não soubermos mais o que fazer, chegaremos ao nosso verdadeiro trabalho. E quando não soubermos mais que caminho seguir, começaremos a nossa verdadeira viagem." -Wendell Berry . . . Passamos uma grande parte da vida a acreditar que temos de saber. Saber o que queremos. Saber para onde vamos. Saber qual é a decisão certa. Saber qual é o próximo passo. E, por isso, quando nos sentimos perdidos, assustamo-nos. Interpretamos o vazio como um erro. Interpretamos a dúvida como um fracasso. Interpretamos a ausência de direcção como um sinal de que algo está errado connosco. Mas talvez não seja assim. Tantas e tantas vezes o vazio é sinónimo de caminho aberto. Tantas e tantas vezes a sensação de estarmos perdidos é, afinal, a experiência da liberdade. Porque aquilo que nos desorienta não é a falta de caminho. É a perda dos mapas antigos. E quando os velhos mapas deixam de funcionar, quando as respostas habituais já não respondem, quando os destinos que antes pareciam fazer sen...

Despertar

Imagem
  "Despertar é um pouco assim como ficar sóbrio e passar o resto da vida num bar onde toda a gente continua a beber, bastante alcoolizada, bebendo cada vez mais e agindo de forma estranha por causa disso.  E aí você vai-se perguntando porque é que não está a participar no que está a acontecer. Nessa altura chega mesmo a pensar que você próprio é um pouco estranho." - Adyashanti . . . Despertar é perceber o tanto daquilo que somos que, afinal, não faz parte de nós. É começar a distinguir entre a nossa essência e tudo aquilo que fomos aprendendo a ser para sobreviver, agradar, pertencer ou corresponder às expectativas dos outros. É um caminho de regresso. Um caminho ao encontro daquilo que em nós é mais puro, mais autêntico, mais descondicionado. E esse caminho pode ser profundamente solitário. Porque, à medida que a consciência se expande, começamos a ver coisas que antes não víamos. Começamos a questionar aquilo que antes parecia normal. Começamos a sentir que certas formas d...

A Ilusão do Controlo

Imagem
Há pessoas que passam grande parte da vida a tentar manter tudo sob controlo. Planeiam, antecipam, organizam, prevêem. Procuram reduzir ao mínimo a possibilidade de erro, surpresa ou imprevisto. E, muitas vezes, acreditam que fazem isso porque são responsáveis, cuidadosas ou simplesmente porque gostam que tudo corra bem. Mas, por vezes, existe algo mais profundo. Porque aquele que sente uma necessidade constante de controlar nem sempre está a tentar controlar o futuro. Muitas vezes, está apenas a tentar evitar reencontrar um passado que ainda dói. E é curioso como a mente aprende a proteger-nos. Depois de certos momentos difíceis, de algumas dores que ficaram por resolver, de experiências que deixaram marcas invisíveis, ela começa a associar o inesperado ao sofrimento. Como se cada surpresa transportasse consigo uma ameaça. Como se cada mudança pudesse abrir novamente uma porta que se desejava manter fechada. E então, sem se aperceber plenamente disso, a pessoa começa a vigiar a vida. ...

*Auto-respeito e limites

Imagem
  Ao longo da vida, vamos desenvolvendo formas de nos protegermos, de nos adaptarmos e de encontrarmos o nosso lugar no mundo. E muitas dessas formas surgem por boas razões. Por vezes aprendemos a ser mais tolerantes, mais disponíveis, mais compreensivos, porque isso nos ajudou a criar ligações, a evitar conflitos ou simplesmente a sentir que pertencíamos. Mas aquilo que num momento foi uma solução, nem sempre continua a servir-nos da mesma forma ao longo do tempo. E talvez seja interessante considerar que o caminho do crescimento nem sempre passa por acrescentar algo novo. Por vezes passa também por questionar silenciosamente algumas das ideias que carregamos há anos sem as examinar. Ideias sobre aquilo que devemos suportar. Sobre aquilo que devemos aceitar. Sobre aquilo que acreditamos ser a nossa responsabilidade. Porque, por mais compreensivos, generosos ou disponíveis que procuremos ser, existe uma diferença importante entre acolher os outros e aban...

*Muitas vezes começamos, ainda na infância, a acelerar a nossa mente...

Imagem
  Muitas vezes começamos, ainda na infância, a acelerar a nossa mente... Aprendemos cedo que há muito para fazer, muito para alcançar, muito para viver. Aprendemos que o mundo se move depressa, que existem responsabilidades, problemas para resolver, desafios para ultrapassar e preocupações às quais devemos prestar atenção. E, pouco a pouco, vamos treinando a mente para correr. Primeiro porque vemos os outros fazê-lo. Depois porque acreditamos que é assim que a vida funciona. E, por fim, porque a própria correria se torna familiar. Aprendemos que é suposto ser assim. Ensinamo-nos a ser assim. E uma das razões mais profundas pelas quais nos ensinamos a ser assim é porque, algures dentro de nós, acreditamos que só seremos aceites se acompanharmos o ritmo dos outros. Que, para pertencer, é preciso correr. Que, para ser amado, é preciso corresponder. Que, para ser valorizado, é preciso fazer mais, pensar mais, preocupar-se mais. E quando uma pessoa começa a ...

*O direito de perguntar "porquê"

Imagem
O direito de perguntar "porquê" Temos o direito de perguntar. Temos o direito de perguntar por que razão certas coisas injustas, absurdas, dolorosas ou profundamente incorrectas nos acontecem. Temos o direito de sentir revolta, tristeza, incompreensão ou até indignação perante aquilo que a vida, por vezes, nos coloca no caminho. Perguntar "porquê?" não é um sinal de fraqueza. É uma tentativa natural da mente humana para encontrar sentido, para organizar o caos, para compreender aquilo que parece não ter explicação. Mas há uma realidade que nem sempre é fácil aceitar: muitas das nossas perguntas não recebem respostas simples. Algumas não recebem resposta alguma. Pelo menos não imediatamente. E quando isso acontece, a frustração pode crescer. A revolta pode tornar-se mais intensa. Podemos sentir-nos presos num diálogo silencioso com a vida, com Deus, com o Universo ou connosco próprios, repetindo a mesma pergunta, vezes sem conta, na esperança de que alguém, finalment...

*O vazio e a vontade de sermos amados

Imagem
Quando na nossa infância, por alguma razão, não recebemos a expressão de amor, carinho ou afecto de que necessitávamos, pode ficar em nós uma memória emocional de vazio. Por vezes é discreta e quase imperceptível; outras vezes manifesta-se como uma saudade indefinida, um sentimento difícil de explicar, mas que nos acompanha ao longo da vida. E, sem nos apercebermos, podemos começar a procurar fora de nós aquilo que, em tempos, sentimos ter faltado dentro de nós. Surge então uma pessoa, uma situação ou uma promessa que parece encaixar exactamente nesse espaço antigo. Algo em nós desperta. Sentimos entusiasmo, esperança, encantamento. Como se, finalmente, estivéssemos prestes a encontrar aquilo que sempre procurámos. Nesses momentos, é fácil esquecermo-nos de nós próprios. É fácil começar a dar cada vez mais atenção ao vislumbre daquilo que desejamos encontrar e cada vez menos atenção aos sinais da realidade. E, enquanto tentamos confirmar que aquela promessa é verdadeira, podemos acabar...