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*ESPÍRITO CRÍTICO PRECISA-SE — e não é um luxo, é uma urgência!

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  Ao longo dos anos, trabalhando com pessoas extraordinárias — sensíveis, inteligentes, profundamente humanas — tenho percebido que o maior risco não é a dor que carregam, mas a facilidade com que o mundo actual lhes tenta sequestrar a clareza. Há demasiado ruído, demasiada opinião travestida de verdade, demasiada emoção disfarçada de facto. E, no meio disso tudo, a mente humana fica vulnerável. O problema não é apenas a estupidez que circula. É a velocidade com que circula. O problema não é apenas a mentira. É a forma como se veste de “informação”. O problema não é apenas a desinformação. É a maneira como se infiltra, subtil, quase invisível, até se tornar crença. E é aqui que entra aquilo que mais defendo no meu trabalho: o espírito crítico como elemento importante do poder pessoal. O espírito crítico não é agressividade. É presença. É lucidez. É a capacidade de olhar para uma frase, uma notícia, uma opinião, e perguntar — sem medo —: “Será mesmo assim?” Não para destruir. Não pa...

A procrastinação é um sintoma, não é o problema

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Procrastinação é o adiamento voluntário de uma tarefa, decisão ou comportamento, apesar de sabermos que seria melhor realizá-lo naquele momento. No entanto, esta palavra (Procrastinação) descreve um comportamento, mas não explica necessariamente a sua causa. É um pouco como dizer que alguém «tosse». A tosse é real, mas pode resultar de coisas muito diferentes. Não tratamos todas as tosses da mesma maneira só porque têm o mesmo nome. Com a procrastinação pode acontecer algo semelhante. Duas pessoas podem deixar exactamente a mesma tarefa para amanhã e, no entanto, estarem a viver processos internos completamente diferentes. Uma pode estar a evitar a ansiedade provocada pela tarefa. Outra pode estar bloqueada pelo perfeccionismo. Outra pode estar simplesmente exausta. Outra pode não saber por onde começar. Outra pode ter dificuldade em manter a atenção numa actividade pouco estimulante. Outra pode estar sobrecarregada com demasiadas tarefas e incapaz de estabelecer prioridades. Outra p...

A VARINHA MÁGICA INTERIOR

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  Existe uma espécie de varinha mágica dentro de nós. Não muda o que aconteceu. Não faz desaparecer uma injustiça. Não transforma o errado em certo. Não apaga uma desilusão. Não faz com que aquilo que nos magoou nunca tenha acontecido. Mas pode ajudar-nos a mudar uma coisa muito importante: a importância que continuamos a dar-lhe. É uma escolha mental. Podemos dizer a nós próprios: “Isto que aconteceu foi injusto.” “Foi errado.” “Foi desnecessário.” “Eu não merecia que me tratassem assim.” “Tenho todo o direito de me sentir magoado, triste ou zangado.” E depois acrescentar: “Mas as coisas foram como foram.” “Eu não posso mudar o que aconteceu.” “E não quero continuar a carregar isto dentro de mim da mesma maneira.” “Por isso, escolho dar-lhe menos importância.” Isto não é resignação. Não é dizer que aquilo foi correcto. Não é perdoar à força. Não é fingir que não doeu. É deixar de alimentar aquilo que já nos alimentou de dor suficiente. Há acontecimentos que não podemos tornar just...

Se queres ver defeitos, vais ver defeitos...

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  Se queres ver defeitos, vais ver defeitos. Se queres ver virtudes, vais ver virtudes. Se queres ver problemas, irás encontrar problemas. Se queres ver soluções, começarás a encontrar soluções. Se queres ver motivos para desistir, encontrarás motivos para desistir. Se queres ver possibilidades, começarás a ver possibilidades. Se queres ver razões para desconfiar, encontrarás razões para desconfiar. Se queres ver razões para confiar, também as encontrarás. Se queres ver aquilo que está mal, o que falta, o que não tens, o que não conseguiste, o que os outros fizeram de errado... vais encontrar tudo isso. Mas se quiseres ver aquilo que está bem, aquilo que tens, aquilo que aprendeste, aquilo que ainda podes fazer, aquilo que os outros fizeram por ti... também vais encontrar. E isto é particularmente importante quando estamos perante a dor. Porque, por maior que seja a nossa dor, por mais difícil que seja aquilo que estamos a viver, por mais impossível que nos pareça olhar para as coi...

*Eu não trato diagnósticos. Ajudo pessoas.

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Não sou médico. Não sou psiquiatra. Não sou psicólogo. Sou hipnoterapeuta. E o que faço é ajudar pessoas a ficarem melhor emocionalmente. Não trabalho com rótulos. Não trabalho com etiquetas. Não trabalho com diagnósticos. Mas há pessoas que chegam até mim já com um diagnóstico. Estão a ser acompanhadas por um psiquiatra. Algumas também por um psicólogo. Chegam com nomes. Depressão. Perturbação bipolar. Perturbação borderline. Perturbação de pânico. Ansiedade. Fobias. E eu não ignoro esses nomes. Um diagnóstico pode ser importante. Pode ajudar a compreender, a orientar e a definir um tratamento. Mas há uma coisa que um diagnóstico nunca consegue contar por inteiro: a história daquela pessoa. E é essa história que me interessa. Porque quando alguém me diz: «Tenho depressão.» eu não quero ficar apenas a saber que tem depressão. Quero saber quem é aquela pessoa. O que viveu. O que perdeu. O que suportou. O que não conseguiu dizer. O que teve de engolir. Quem a magoou. Quem a abandonou. Qu...

*A criança que ainda vive em nós

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  Há feridas da infância que não desaparecem simplesmente porque crescemos. Mudamos de idade. Mudamos de casa. Mudamos de relações. Temos filhos. Construímos uma carreira. Aprendemos. Tornamo-nos adultos. Mas algumas experiências continuam connosco. Às vezes, não como memórias claras. Aparecem como medos. Como ansiedade. Como necessidade de controlar tudo. Como dificuldade em confiar. Como medo de ser abandonado. Como necessidade constante de agradar. Como perfeccionismo. Como dificuldade em dizer «não». Como vergonha. Como culpa. Como uma enorme dificuldade em aceitar críticas. Como a sensação de nunca sermos suficientemente bons. Como relações em que acabamos, repetidamente, por aceitar aquilo que dizemos a nós próprios que nunca deveríamos aceitar. E, por vezes, aparecem de uma forma ainda mais estranha: Uma reacção nossa parece-nos exagerada. Uma situação aparentemente pequena provoca uma tristeza enorme. Uma palavra atinge-nos profundamente. Uma rejeição deixa-nos devastados. ...

As sensações de arrependimento ou de tempo perdido tornam-se, muitas vezes, inúteis quando compreendemos duas coisas:

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As sensações de arrependimento ou de tempo perdido tornam-se, muitas vezes, inúteis quando compreendemos duas coisas: 1. Porque cometemos aquele erro ou tomámos aquela decisão. O que estávamos a sentir? O que procurávamos? O que não conseguíamos ver? O que precisávamos naquele momento? Compreender as razões que nos levaram a fazer determinada escolha não significa desculpar o erro. Significa perceber a pessoa que éramos naquele momento. 2. Que importantes e valiosas lições e aprendizagens recebemos. Porque, mesmo quando uma decisão corre mal, quase sempre há alguma coisa que podemos aprender com ela. Talvez tenhamos aprendido a conhecer-nos melhor. Talvez tenhamos descoberto os nossos limites. Talvez tenhamos percebido aquilo que não queremos voltar a viver. Talvez tenhamos aprendido a dizer não. Talvez tenhamos aprendido a escolher melhor. Assim, se há alguma coisa que ainda te prende ao passado — uma decisão, um erro, uma relação, uma oportunidade perdida — e sentes arrependimento ou...