Podemos dizer-nos coisas muito violentas
Podemos dizer-nos coisas muito violentas. Coisas duras. Coisas como: «Vai correr tudo mal.» «Não vais conseguir.» «Vais perder tudo novamente.» «Vais falhar.» «Vais sempre sentir esta dor.» «Nunca vais melhorar da ansiedade. Isto nunca vai parar.» «Vais sofrer.» E, por mais que tentemos contrariar esta conversa, por vezes parece impossível. Sentimo-la como um inimigo. Uma espécie de carrasco interior. Mas será que esta conversa tem alguma intenção? Será que, de alguma forma, está a tentar proteger-nos? Será que está a tentar poupar-nos à desilusão? Se eu esperar o pior, talvez a desilusão seja menor. Se eu acreditar que vou falhar, talvez o fracasso não doa tanto. Se eu me convencer de que nada vai mudar, talvez não tenha de voltar a ter esperança. O problema é que, nesta tentativa de nos protegermos da desilusão, podemos acabar a viver permanentemente dentro dela. E, muitas vezes, esta voz não está a tentar destruir-nos. Está a tentar proteger-nos. Só que aprendeu a fazê-lo através do...