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Se queres ver defeitos, vais ver defeitos...

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  Se queres ver defeitos, vais ver defeitos. Se queres ver virtudes, vais ver virtudes. Se queres ver problemas, irás encontrar problemas. Se queres ver soluções, começarás a encontrar soluções. Se queres ver motivos para desistir, encontrarás motivos para desistir. Se queres ver possibilidades, começarás a ver possibilidades. Se queres ver razões para desconfiar, encontrarás razões para desconfiar. Se queres ver razões para confiar, também as encontrarás. Se queres ver aquilo que está mal, o que falta, o que não tens, o que não conseguiste, o que os outros fizeram de errado... vais encontrar tudo isso. Mas se quiseres ver aquilo que está bem, aquilo que tens, aquilo que aprendeste, aquilo que ainda podes fazer, aquilo que os outros fizeram por ti... também vais encontrar. E isto é particularmente importante quando estamos perante a dor. Porque, por maior que seja a nossa dor, por mais difícil que seja aquilo que estamos a viver, por mais impossível que nos pareça olhar para as coi...

*Eu não trato diagnósticos. Ajudo pessoas.

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Não sou médico. Não sou psiquiatra. Não sou psicólogo. Sou hipnoterapeuta. E o que faço é ajudar pessoas a ficarem melhor emocionalmente. Não trabalho com rótulos. Não trabalho com etiquetas. Não trabalho com diagnósticos. Mas há pessoas que chegam até mim já com um diagnóstico. Estão a ser acompanhadas por um psiquiatra. Algumas também por um psicólogo. Chegam com nomes. Depressão. Perturbação bipolar. Perturbação borderline. Perturbação de pânico. Ansiedade. Fobias. E eu não ignoro esses nomes. Um diagnóstico pode ser importante. Pode ajudar a compreender, a orientar e a definir um tratamento. Mas há uma coisa que um diagnóstico nunca consegue contar por inteiro: a história daquela pessoa. E é essa história que me interessa. Porque quando alguém me diz: «Tenho depressão.» eu não quero ficar apenas a saber que tem depressão. Quero saber quem é aquela pessoa. O que viveu. O que perdeu. O que suportou. O que não conseguiu dizer. O que teve de engolir. Quem a magoou. Quem a abandonou. Qu...

*A criança que ainda vive em nós

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  Há feridas da infância que não desaparecem simplesmente porque crescemos. Mudamos de idade. Mudamos de casa. Mudamos de relações. Temos filhos. Construímos uma carreira. Aprendemos. Tornamo-nos adultos. Mas algumas experiências continuam connosco. Às vezes, não como memórias claras. Aparecem como medos. Como ansiedade. Como necessidade de controlar tudo. Como dificuldade em confiar. Como medo de ser abandonado. Como necessidade constante de agradar. Como perfeccionismo. Como dificuldade em dizer «não». Como vergonha. Como culpa. Como uma enorme dificuldade em aceitar críticas. Como a sensação de nunca sermos suficientemente bons. Como relações em que acabamos, repetidamente, por aceitar aquilo que dizemos a nós próprios que nunca deveríamos aceitar. E, por vezes, aparecem de uma forma ainda mais estranha: Uma reacção nossa parece-nos exagerada. Uma situação aparentemente pequena provoca uma tristeza enorme. Uma palavra atinge-nos profundamente. Uma rejeição deixa-nos devastados. ...

As sensações de arrependimento ou de tempo perdido tornam-se, muitas vezes, inúteis quando compreendemos duas coisas:

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As sensações de arrependimento ou de tempo perdido tornam-se, muitas vezes, inúteis quando compreendemos duas coisas: 1. Porque cometemos aquele erro ou tomámos aquela decisão. O que estávamos a sentir? O que procurávamos? O que não conseguíamos ver? O que precisávamos naquele momento? Compreender as razões que nos levaram a fazer determinada escolha não significa desculpar o erro. Significa perceber a pessoa que éramos naquele momento. 2. Que importantes e valiosas lições e aprendizagens recebemos. Porque, mesmo quando uma decisão corre mal, quase sempre há alguma coisa que podemos aprender com ela. Talvez tenhamos aprendido a conhecer-nos melhor. Talvez tenhamos descoberto os nossos limites. Talvez tenhamos percebido aquilo que não queremos voltar a viver. Talvez tenhamos aprendido a dizer não. Talvez tenhamos aprendido a escolher melhor. Assim, se há alguma coisa que ainda te prende ao passado — uma decisão, um erro, uma relação, uma oportunidade perdida — e sentes arrependimento ou...

Respostas ou Perguntas?

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  Não procures quem te dê respostas. Procura quem te ajude a fazer as perguntas certas. Porque, muitas vezes, aquilo a que chamas «resposta» é apenas uma forma de deixares de pensar. Alguém te diz o que deves fazer. Tu segues. Alguém te explica porque és assim. Tu acreditas. Alguém dá um nome ao que sentes. Tu adoptas o nome. Alguém encontra uma explicação para a tua vida. E tu, finalmente, deixas de a questionar. É confortável. Mas não é necessariamente crescimento. Talvez não precises de alguém que te diga quem és. Talvez precises de alguém que te ajude a questionar aquilo que pensas ser. Que te pergunte: E se não for assim? E se aquilo que consideras um problema for apenas a forma que encontraste para lidar com outra coisa? E se aquilo de que tens medo não for aquilo que realmente temes? E se a tua necessidade de controlar não for amor pelo controlo, mas medo de descobrir o que acontece quando deixas de controlar? E se a pergunta que repetes há anos estiver errada? Porque há per...

Falar é fácil?! - Nem sempre.

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  Quando alguém que viveu a dor, a manipulação, a traição ou o perigo procura avisar-te escuta com atenção.  Quem passou por essas experiências vê, muitas vezes, aquilo que os outros não conseguem ver.  Conhece os sinais, reconhece os padrões e percebe a verdade escondida por detrás das aparências. Falar de fora, opinar, dar sugestões sem conhecimento ou experiência de vida é fácil para muita gente e, por isso, muita gente o faz. Mas nem todos os avisos nascem da ignorância, do medo ou do pessimismo.  Alguns nascem da sabedoria.  Alguns vêm de alguém que, por pouco, não foi destruído precisamente por aquilo para que muitos podem caminhar. Demasiadas vezes desvalorizamos um conselho apenas porque nos causa desconforto.  Preferimos acreditar nas aparências de futilidade de quem nos aconselha do que na experiência de quem já percorreu esse caminho.  Mas a sabedoria escuta. A sabedoria presta atenção.  A sabedoria compreende que aqueles que conheceram...

Podemos dizer-nos coisas muito violentas

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Podemos dizer-nos coisas muito violentas. Coisas duras. Coisas como: «Vai correr tudo mal.» «Não vais conseguir.» «Vais perder tudo novamente.» «Vais falhar.» «Vais sempre sentir esta dor.» «Nunca vais melhorar da ansiedade. Isto nunca vai parar.» «Vais sofrer.» E, por mais que tentemos contrariar esta conversa, por vezes parece impossível. Sentimo-la como um inimigo. Uma espécie de carrasco interior. Mas será que esta conversa tem alguma intenção? Será que, de alguma forma, está a tentar proteger-nos? Será que está a tentar poupar-nos à desilusão? Se eu esperar o pior, talvez a desilusão seja menor. Se eu acreditar que vou falhar, talvez o fracasso não doa tanto. Se eu me convencer de que nada vai mudar, talvez não tenha de voltar a ter esperança. O problema é que, nesta tentativa de nos protegermos da desilusão, podemos acabar a viver permanentemente dentro dela. E, muitas vezes, esta voz não está a tentar destruir-nos. Está a tentar proteger-nos. Só que aprendeu a fazê-lo através do...