“Porquê eu? Porquê a mim? Isto é uma injustiça!”
Há momentos em que a mente grita: “Porquê eu? Porquê a mim? Isto é uma injustiça!” É uma reacção humana. Mas quando este pensamento se instala ou nos revisita torna-se perigoso — não pelo que sentimos, mas pelo lugar onde ele nos deixa: presos na superfície da dor, incapazes de ver o que está por baixo. Quando acreditamos que “isto não devia estar a acontecer”, criamos uma resistência interior que nos afasta da realidade e nos afasta de nós. A energia que poderia ser usada para compreender, integrar e transformar fica bloqueada na luta contra o que já é. A verdadeira caminhada começa quando mudamos a pergunta. Em vez de “Porquê eu?”, aproximamo-nos de algo mais sábio: “O que é que isto me está a mostrar?” “Que parte de mim pede atenção?” “Que força minha está a tentar regressar à superfície?” Não se trata de romantizar a dor. Trata-se de recuperar o poder que perdemos quando nos colocamos no papel de vítimas da vida. A vida não nos castiga. A vida revela. E, muitas vezes, revela ...