O Vazio
É bem provável que muitos de nós não se lembrem mas a experiência de nascer pode ser bem assustadora e perturbadora. Saímos do ventre da nossa progenitora, de um ambiente que nos era conhecido e ao qual nos fomos adaptando, para um espaço imenso, desconhecido, Vazio... Sim. Pode ser bem assustadora. E deixar uma memória que nos assombra. Especialmente se não nos ensinarmos a olhar e sentir o Vazio de forma diferente. Sim, o Vazio. Essa passagem do útero para o mundo é, de facto, uma das primeiras grandes rupturas da existência. Um salto súbito de um espaço quente, líquido, contido, ritmado pelos batimentos da mãe — para um universo de ar frio, luz agressiva, sons cortantes e gravidade implacável. Não é de admirar que o corpo se lembre, mesmo que a mente consciente não consiga. Muitos psicólogos e terapeutas (como Otto Rank ou Stanislav Grof) falaram disso como o trauma do nascimento: o protótipo de todas as ansiedades posteriores de separação, perda de controlo e confronto com o descon...