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A Ilusão do Controlo

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Há pessoas que passam grande parte da vida a tentar manter tudo sob controlo. Planeiam, antecipam, organizam, prevêem. Procuram reduzir ao mínimo a possibilidade de erro, surpresa ou imprevisto. E, muitas vezes, acreditam que fazem isso porque são responsáveis, cuidadosas ou simplesmente porque gostam que tudo corra bem. Mas, por vezes, existe algo mais profundo. Porque aquele que sente uma necessidade constante de controlar nem sempre está a tentar controlar o futuro. Muitas vezes, está apenas a tentar evitar reencontrar um passado que ainda dói. E é curioso como a mente aprende a proteger-nos. Depois de certos momentos difíceis, de algumas dores que ficaram por resolver, de experiências que deixaram marcas invisíveis, ela começa a associar o inesperado ao sofrimento. Como se cada surpresa transportasse consigo uma ameaça. Como se cada mudança pudesse abrir novamente uma porta que se desejava manter fechada. E então, sem se aperceber plenamente disso, a pessoa começa a vigiar a vida. ...

*Auto-respeito e limites

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  Ao longo da vida, vamos desenvolvendo formas de nos protegermos, de nos adaptarmos e de encontrarmos o nosso lugar no mundo. E muitas dessas formas surgem por boas razões. Por vezes aprendemos a ser mais tolerantes, mais disponíveis, mais compreensivos, porque isso nos ajudou a criar ligações, a evitar conflitos ou simplesmente a sentir que pertencíamos. Mas aquilo que num momento foi uma solução, nem sempre continua a servir-nos da mesma forma ao longo do tempo. E talvez seja interessante considerar que o caminho do crescimento nem sempre passa por acrescentar algo novo. Por vezes passa também por questionar silenciosamente algumas das ideias que carregamos há anos sem as examinar. Ideias sobre aquilo que devemos suportar. Sobre aquilo que devemos aceitar. Sobre aquilo que acreditamos ser a nossa responsabilidade. Porque, por mais compreensivos, generosos ou disponíveis que procuremos ser, existe uma diferença importante entre acolher os outros e aban...

*Muitas vezes começamos, ainda na infância, a acelerar a nossa mente...

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  Muitas vezes começamos, ainda na infância, a acelerar a nossa mente... Aprendemos cedo que há muito para fazer, muito para alcançar, muito para viver. Aprendemos que o mundo se move depressa, que existem responsabilidades, problemas para resolver, desafios para ultrapassar e preocupações às quais devemos prestar atenção. E, pouco a pouco, vamos treinando a mente para correr. Primeiro porque vemos os outros fazê-lo. Depois porque acreditamos que é assim que a vida funciona. E, por fim, porque a própria correria se torna familiar. Aprendemos que é suposto ser assim. Ensinamo-nos a ser assim. E uma das razões mais profundas pelas quais nos ensinamos a ser assim é porque, algures dentro de nós, acreditamos que só seremos aceites se acompanharmos o ritmo dos outros. Que, para pertencer, é preciso correr. Que, para ser amado, é preciso corresponder. Que, para ser valorizado, é preciso fazer mais, pensar mais, preocupar-se mais. E quando uma pessoa começa a ...

*O direito de perguntar "porquê"

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O direito de perguntar "porquê" Temos o direito de perguntar. Temos o direito de perguntar por que razão certas coisas injustas, absurdas, dolorosas ou profundamente incorrectas nos acontecem. Temos o direito de sentir revolta, tristeza, incompreensão ou até indignação perante aquilo que a vida, por vezes, nos coloca no caminho. Perguntar "porquê?" não é um sinal de fraqueza. É uma tentativa natural da mente humana para encontrar sentido, para organizar o caos, para compreender aquilo que parece não ter explicação. Mas há uma realidade que nem sempre é fácil aceitar: muitas das nossas perguntas não recebem respostas simples. Algumas não recebem resposta alguma. Pelo menos não imediatamente. E quando isso acontece, a frustração pode crescer. A revolta pode tornar-se mais intensa. Podemos sentir-nos presos num diálogo silencioso com a vida, com Deus, com o Universo ou connosco próprios, repetindo a mesma pergunta, vezes sem conta, na esperança de que alguém, finalment...

*O vazio e a vontade de sermos amados

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Quando na nossa infância, por alguma razão, não recebemos a expressão de amor, carinho ou afecto de que necessitávamos, pode ficar em nós uma memória emocional de vazio. Por vezes é discreta e quase imperceptível; outras vezes manifesta-se como uma saudade indefinida, um sentimento difícil de explicar, mas que nos acompanha ao longo da vida. E, sem nos apercebermos, podemos começar a procurar fora de nós aquilo que, em tempos, sentimos ter faltado dentro de nós. Surge então uma pessoa, uma situação ou uma promessa que parece encaixar exactamente nesse espaço antigo. Algo em nós desperta. Sentimos entusiasmo, esperança, encantamento. Como se, finalmente, estivéssemos prestes a encontrar aquilo que sempre procurámos. Nesses momentos, é fácil esquecermo-nos de nós próprios. É fácil começar a dar cada vez mais atenção ao vislumbre daquilo que desejamos encontrar e cada vez menos atenção aos sinais da realidade. E, enquanto tentamos confirmar que aquela promessa é verdadeira, podemos acabar...

*Quando nos sentimos atraídos por alguém...

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Quando nos sentimos atraídos por alguém ao ponto de acreditarmos que estamos apaixonados ou até que amamos essa pessoa, e surge o desejo de avançar para uma relação amorosa, pode ser importante parar por um momento, respirar profundamente e escutar não apenas o coração, mas também a nossa sabedoria interior. Antes de dar mais um passo, talvez valha a pena perguntar: Esta pessoa faz-me sentir bem? Respeita-me verdadeiramente? Respeita os meus valores, os meus limites e a minha forma de estar na vida? Consigo ser eu próprio quando estou com ela, ou sinto necessidade de representar um papel para ser aceite? O interesse e o investimento são recíprocos, ou sou sempre eu quem toma a iniciativa? Gosto desta pessoa tal como ela é, ou estou apaixonado por aquilo que imagino que ela possa vir a ser? As suas atitudes confirmam as suas palavras? Sinto paz e segurança na sua presença, ou vivo demasiado tempo na dúvida e na ansiedade? Esta relação acrescenta valor à minha vida ou tem-me afastado de ...

Quando alguma coisa desperta sensações difíceis dentro de nós...

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Quando alguma coisa desperta sensações difíceis dentro de nós, seja porque nos sentimos excluídos, rejeitados, desvalorizados, sozinhos, abandonados, desamparados ou simplesmente emocionalmente afectados, talvez possamos recordar que não precisamos de lutar contra aquilo que estamos a sentir. Seja qual for a forma como essa experiência se manifesta, através de um aperto no peito, um nó no estômago, uma tensão no corpo, uma sensação de vazio, inquietação, tristeza, ansiedade ou qualquer outra sensação mais difícil de descrever, podemos simplesmente fazer uma pausa e reconhecer a sua presença. Em vez de resistir ou tentar afastar aquilo que sentimos, talvez possamos oferecer-nos um gesto simples de acolhimento. Dê a si próprio um abraço. Um abraço verdadeiro. Feche suavemente os olhos e permita-se sentir o contacto dos seus próprios braços à sua volta. Enquanto respira profunda e pausadamente, deixe que cada e...