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Há quem se obrigue a controlar tudo, a antecipar tudo, procurando evitar ou afastar-se da imprevisibilidade.

Isto porque a imprevisibilidade pode colocar-nos mais vulneráveis.
E há quem se afaste da própria vulnerabilidade por medo de não conseguir sair dela.
Como se, ao tocar nas emoções mais profundas, pudesse ficar preso na dor.
Mas a verdade é outra: o que fica guardado no silêncio pesa muito mais do que aquilo que é sentido com consciência.
A vulnerabilidade não é uma prisão.
É uma porta.
E muitas vezes, é precisamente por ela que começa a libertação.
Assim nos vamos libertando da necessidade ansiosa de controlar tudo, de antecipar tudo…
Assim nos vamos libertando para a vida.
Assim vamos fazendo o caminho.
. . .

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