Avançar para o conteúdo principal


 
Um dos grandes dilemas ou dificuldades deste nosso cérebro humano tem a ver com aquilo que nos aparece como fruto da nossa intuição ou dos nossos medos e desejos/apego.

Torna-se difícil, muitas vezes, distinguir a importante diferença.
Mas ela existe e podemos treinar-nos a percebê-la.
Um patamar importante é observar a natureza da sensação e o ritmo da mensagem.
A intuição é uma certeza calma e silenciosa que expande; o medo, a paranoia e o desejo são ruídos urgentes e repetitivos que contraem.
Se a voz "grita", impõe pressentimentos catastróficos ou exige uma satisfação imediata: Não é intuição.
Se a voz apenas "informa" com uma clareza desapegada e sem drama (mesmo que a mensagem seja desafiante): É a sua intuição.
Em suma, a intuição afirma, o medo ameaça e o desejo implora.
Por exemplo a intuição diz "segue outro caminho", o medo diz "cuidado vais magoar-te" e o desejo/apego diz "tem que ser por aqui".
Em situações como esta, por mais difícil que seja essa circunstância, deveremos colocar-nos de forma tão serena, tão tranquila quanto possível - talvez conectando-nos com a natureza - e fazer a difícil pergunta: "É por aqui o meu caminho?" - e dar tempo para ouvir ou sentir a resposta.
Se a voz traz pressa ou pânico, é a mente (medo/desejo).
Se a voz traz direcção e quietude, é a intuição.
. . .

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um caminho para a Luz, apenas um caminho...

Falamos e ouvimos falar tanto da Luz. De uma Luz. Uma Luz que nos ilumina, que nos acompanha, que está dentro de nós. Para alguns essa Luz é Deus, para outros o Universo, a força do Universo, a Energia Universal, o Ki, o Amor, a Paz. A Luz é tanto em nós e quanto mais nos sentimos no seu caminho mais a enriquecemos conceptualmente, tornando-a mais rica e poderosa. Para outros que se sentem distantes deste conceito, admitir a possibilidade de uma Luz, que ilumina e acompanha o seu ser é uma proposta de alienação do seu próprio conhecimento ou auto-construção. É algo que não faz sentido porque os distrai de si mesmos. A estes direi que a Luz de aqui falo-escrevo é também exactamente isso: o seu próprio conhecimento e força de construção. Assim, seja você uma pessoa mais racional ou uma pessoa mais espiritual, a proposta de caminho que aqui lhe deixo é uma proposta pragmática e universal. Que será tanto ou mais espiritual, tanto ou mais racional, conforme o seu próprio sistema de crenças ...
Quando uma relação de amizade, familiar ou amorosa é cortada ou terminada e vemos que a pessoa ou pessoas do outro lado parecem ficar pouco ou nada afectadas com esse distanciamento que fica poderemos sentir-nos bastante magoados. E isso acontece porque o que se observa toca em necessidades humanas profundas de pertencimento, valorização e reciprocidade emocional. Quando vemos que a outra pessoa parece não se afectar com o afastamento, podemos sentir como se a nossa importância fosse diminuída ou até inexistente para ela. O que mais costuma magoar nesse contexto inclui: Sentimento de desvalorização – A ideia de que a relação poderia ter significado pouco para o outro gera dor, pois esperamos que laços que foram importantes para nós também sejam reconhecidos e sentidos por quem os compartilhou. Ferida no ego e na autoestima – Inconscientemente, podemos interpretar a falta de reacção como se houvesse algo "errado" connosco, como se não tivéssemos sido suficientemente bons ou di...
A utilidade da raiva (artigo publicado na revista Saúde Actual - Julho/Agosto 2025) "Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar a minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. A nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo." -         Mahatma Gandhi   A raiva é uma emoção humana primária bastante intensa, geralmente despertada quando sentimos que algo está errado, injusto, é ameaçador ou frustrante. Tem componentes físicos (tensão, aceleração cardíaca) e psicológicos (pensamentos de crítica, desejo de agir) e é uma reação natural que faz parte do nosso sistema de defesa — uma forma do corpo e da mente dizerem: "Algo precisa mudar." E pode ser expressa, reprimida ou canalizada. Normalmente, no meu trabalho como terapeuta agrego à raiva a revolta, a ira, a zanga… como uma espécie de amálgama emocional à qual deveremos dar uma especial atenção para a sua compreensão e ...