Muitas vezes emociono-me...

 


Muitas vezes emociono-me quando observo actos de bondade, de amor, de solidariedade, de cuidado... e fico a pensar porque é que me emociono tanto.
É aquele calor no peito ou o nó na garganta que surge quando testemunhamos o melhor da nossa espécie.
E uma das possíveis razões é uma espécie de saudade ou nostalgia de um estado ideal, de um nível em que o ser humano consiga fazer e ser tudo isto mais vezes - idealmente sempre.
É como se sentisse saudade não de algo que perdi no passado, mas de uma integridade e harmonia que sei ser possível, mas que o ruído do mundo moderno muitas vezes abafa.
Ou como se a minha alma "relembrasse" formas perfeitas de justiça e amor quando as vê reflectidas na realidade material.
Emocionar-me é, de certa forma, um acto de resistência; é o meu sistema de valores a dizer: "Sim, é isto que realmente importa".
"A beleza salvará o mundo", escreveu Dostoiévski. Talvez essa beleza a que ele se referia fosse precisamente esta: a beleza do gesto gratuito que nos recorda da nossa nobreza esquecida.
É para ela que eu acredito que é o nosso caminho.
Espero que tu também.
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