Este nosso cérebro humano procura constantemente catalogar a realidade. Tenta distinguir o que é bom do que é mau, em quem pode confiar e em quem não pode, quais são as circunstâncias favoráveis ou adversas, quais as decisões certas ou erradas. Procura respostas claras, definições seguras, territórios conhecidos. Procura o preto e o branco. E quando não consegue catalogar, prever ou compreender... inquieta-se. Assusta-se. Fica em estado de alerta. Há quem chame a isto necessidade de controlo. Mas, muitas vezes, aquilo a que chamamos necessidade de controlo é, na verdade, algo mais específico: uma necessidade de reduzir a incerteza. Uma necessidade de antecipar, prever e preparar-se para aquilo que poderá acontecer. Quando observamos esta tendência com mais atenção, percebemos que por detrás dela poderá existir um medo mais profundo: o medo da indefinição, da ambiguidade, da surpresa, da vulnerabilidade. O medo de não sabermos. O medo de não estarmos preparados. E esse medo rarame...