Efeito Halo
Às vezes, conhecemos alguém e, em poucos minutos, sentimos que encontrámos uma pessoa extraordinária. Bonita, carismática, confiante… e de repente projectamos nela todas as qualidades que desejamos: inteligência, bondade, lealdade, maturidade.
Isso não é amor à primeira vista.
Isso é o Efeito Halo(1) a funcionar.
O teu cérebro cria uma auréola dourada em torno dessa pessoa e começa a ignorar ou minimizar os sinais vermelhos.
Um sorriso encantador tapa a falta de respeito.
Uma conversa fluida esconde a ausência de valores.
Uma aparência cuidada encobre um carácter ainda por descobrir.
Protege-te. Não entregues o teu coração a uma ilusão brilhante.
Permite-te sentir a atracção — ela é natural e bonita —, mas nunca pares de observar com olhos claros.
Pergunta a ti mesmo: Estou a gostar da pessoa real ou da imagem que o meu cérebro criou?
Será que estou a ignorar comportamentos que, noutra pessoa, não aceitaria?
Estou a apaixonar-me ou a deslumbrar-me?
O verdadeiro amor não nasce de um efeito psicológico. Nasce do conhecimento profundo, da consistência ao longo do tempo e do respeito mútuo.
A atracção inicial pode ser o começo, mas nunca deve ser o suficiente para ceder o teu coração.
Sê inteligente com o teu coração.
Deixa-te encantar, mas nunca te deixes cegar.
Porque quem merece o teu amor não precisa de uma auréola imaginária.
Brilha com luz própria — e essa luz aguenta o tempo e a realidade.
Observa com atenção.
Assim se faz o caminho.
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(1) Efeito Halo é a tendência que temos para deixar que uma característica positiva (ou negativa) de uma pessoa influencie todo o nosso julgamento sobre ela.
Ou seja: criamos uma “auréola” (halo) em torno da pessoa.
Se gostamos de algo nela, assumimos automaticamente que ela possui outras qualidades positivas, mesmo sem evidências.
Exemplos clássicos
Uma pessoa muito atraente é automaticamente percebida como mais inteligente, mais simpática, mais honesta e mais competente.
Um professor que acha um aluno muito educado e bem-arranjado tende a dar-lhe melhores notas, mesmo que o trabalho não seja superior.
Uma marca com um produto excelente faz as pessoas assumirem que todos os seus produtos são bons (efeito halo da marca).
Existe também a versão negativa, por vezes chamada Efeito Chifre (Horn Effect): uma característica negativa faz-nos assumir outras características negativas.
O termo Efeito Halo foi criado pelo psicólogo Edward Thorndike em 1920, mas ganhou grande popularidade com os estudos de Solomon Asch e mais tarde com o trabalho de Daniel Kahneman.
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MarioRuiSantos.net
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