*O direito de perguntar "porquê"



O direito de perguntar "porquê"

Temos o direito de perguntar.

Temos o direito de perguntar por que razão certas coisas injustas, absurdas, dolorosas ou profundamente incorrectas nos acontecem. Temos o direito de sentir revolta, tristeza, incompreensão ou até indignação perante aquilo que a vida, por vezes, nos coloca no caminho.

Perguntar "porquê?" não é um sinal de fraqueza. É uma tentativa natural da mente humana para encontrar sentido, para organizar o caos, para compreender aquilo que parece não ter explicação.

Mas há uma realidade que nem sempre é fácil aceitar: muitas das nossas perguntas não recebem respostas simples. Algumas não recebem resposta alguma. Pelo menos não imediatamente.

E quando isso acontece, a frustração pode crescer. A revolta pode tornar-se mais intensa. Podemos sentir-nos presos num diálogo silencioso com a vida, com Deus, com o Universo ou connosco próprios, repetindo a mesma pergunta, vezes sem conta, na esperança de que alguém, finalmente, nos responda.

Talvez seja precisamente aí que exista um pequeno pormenor capaz de fazer uma grande diferença.

Não está apenas na pergunta.

Está na forma como perguntamos.

Existe uma enorme diferença entre perguntar "porquê?" como quem exige uma explicação ao mundo e perguntar "porquê?" como uma criança que quer aprender alguma coisa nova.

A criança não pergunta para julgar. Não pergunta para condenar. Pergunta porque quer descobrir.

E talvez possamos permitir-nos, pouco a pouco, fazer o mesmo.

Não significa deixar de estar zangados. Não significa aprovar aquilo que aconteceu. Não significa abdicar da dor ou fingir que tudo está bem.

Significa apenas abrir um pequeno espaço interior onde a curiosidade possa coexistir com a revolta.

Porque, por vezes, quando deixamos de exigir respostas imediatas, começamos a notar coisas que antes passavam despercebidas. E aquilo que parecia apenas sofrimento pode revelar uma compreensão nova, uma aprendizagem inesperada ou uma força que ainda não sabíamos que possuíamos.

Nem sempre encontramos o porquê que procurávamos.

Mas muitas vezes descobrimos algo igualmente valioso: uma nova forma de olhar para aquilo que vivemos.

E talvez seja suficiente, por agora, continuar a perguntar.

Não com a necessidade de ter todas as respostas.

Mas com a coragem serena de quem permanece disponível para as encontrar, quando chegar o momento certo.
. . .
MarioRuiSantos.net

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um caminho para a Luz, apenas um caminho...

Os 10 mandamentos e os 7 pecados mortais ou as 10 directivas e as 7 virtudes da nova ordem