Quando alguma coisa desperta sensações difíceis dentro de nós...
Quando alguma coisa desperta sensações difíceis dentro de nós, seja porque nos sentimos excluídos, rejeitados, desvalorizados, sozinhos, abandonados, desamparados ou simplesmente emocionalmente afectados, talvez possamos recordar que não precisamos de lutar contra aquilo que estamos a sentir.
Seja qual for a forma como essa experiência se manifesta, através de um aperto no peito, um nó no estômago, uma tensão no corpo, uma sensação de vazio, inquietação, tristeza, ansiedade ou qualquer outra sensação mais difícil de descrever, podemos simplesmente fazer uma pausa e reconhecer a sua presença.
Em vez de resistir ou tentar afastar aquilo que sentimos, talvez possamos oferecer-nos um gesto simples de acolhimento. Dê a si próprio um abraço. Um abraço verdadeiro. Feche suavemente os olhos e permita-se sentir o contacto dos seus próprios braços à sua volta. Enquanto respira profunda e pausadamente, deixe que cada expiração seja um convite para abrandar um pouco mais.
E, à medida que vai respirando, pode começar a notar que existe uma parte de si que observa, acolhe e compreende aquilo que está a acontecer. Uma parte que sabe permanecer presente, mesmo quando surgem emoções difíceis. Uma parte que não precisa de julgar, corrigir ou eliminar aquilo que sente, apenas estar presente.
Pouco a pouco, permita-se abrir à sensação de estar envolvido por algo maior do que esse desconforto momentâneo. Talvez como se a própria natureza o acolhesse. Talvez surja um lugar especial, real ou imaginado, que se vai revelando naturalmente à sua volta. Um lugar onde se sente seguro, tranquilo e aceite exactamente como é.
E, enquanto esse lugar ganha forma, pode descobrir-se no seu centro, pertencendo-lhe naturalmente. Sentindo a terra firme que o sustenta, o ar que o envolve e uma presença tranquila que o acompanha.
Talvez comece a perceber que não está verdadeiramente separado da vida. Que continua ligado. Ligado à natureza, ligado ao mundo, ligado às pessoas que são importantes para si e, acima de tudo, ligado a si próprio. E que, mesmo quando determinadas circunstâncias ou pessoas não conseguem oferecer a proximidade, o reconhecimento ou a compreensão de que necessita, existe dentro de si uma capacidade crescente para se acolher, para se acompanhar e para se dar aquilo que mais precisa.
A cada respiração, essa sensação de pertença pode tornar-se um pouco mais clara. Como raízes que se aprofundam na terra. Como um lugar que o reconhece e o recebe. E talvez o seu corpo possa começar a compreender algo importante: que, neste momento, está seguro; que existe um lugar para si; que pertence.
E, enquanto permanece por alguns instantes nessa experiência, deixe que cada célula absorva essa recordação silenciosa. A recordação de que é digno de amor, de cuidado, de respeito e de presença. Não porque tenha de provar alguma coisa, não porque tenha de corresponder a expectativas ou conquistar aprovação, mas simplesmente porque existe. Porque faz parte da vida. E porque, tal como tudo o que vive e cresce, também merece ocupar o seu lugar no mundo.
E assim vamos fazendo o caminho.
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MarioRuiSantos.net
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