*Eu não trato diagnósticos. Ajudo pessoas.



Não sou médico.
Não sou psiquiatra.
Não sou psicólogo.

Sou hipnoterapeuta.

E o que faço é ajudar pessoas a ficarem melhor emocionalmente.

Não trabalho com rótulos.
Não trabalho com etiquetas.
Não trabalho com diagnósticos.

Mas há pessoas que chegam até mim já com um diagnóstico.

Estão a ser acompanhadas por um psiquiatra.
Algumas também por um psicólogo.

Chegam com nomes.

Depressão.
Perturbação bipolar.
Perturbação borderline.
Perturbação de pânico.
Ansiedade.
Fobias.

E eu não ignoro esses nomes.

Um diagnóstico pode ser importante. Pode ajudar a compreender, a orientar e a definir um tratamento.

Mas há uma coisa que um diagnóstico nunca consegue contar por inteiro:

a história daquela pessoa.

E é essa história que me interessa.

Porque quando alguém me diz:

«Tenho depressão.»

eu não quero ficar apenas a saber que tem depressão.

Quero saber quem é aquela pessoa.

O que viveu.

O que perdeu.

O que suportou.

O que não conseguiu dizer.

O que teve de engolir.

Quem a magoou.

Quem a abandonou.

Quem nunca a viu verdadeiramente.

Quero perceber onde aprendeu a ter medo.

Onde aprendeu que não podia confiar.

Onde começou a sentir que não era suficientemente boa.

Onde começou a acreditar que tinha de ser forte.

Onde aprendeu a esconder a tristeza.

Onde começou a pedir desculpa por existir.

Porque, muitas vezes, aquilo a que hoje chamamos sintoma tem uma história.

E por detrás de muitos comportamentos que parecem incompreensíveis existem razões que, quando conhecidas, deixam de parecer assim tão incompreensíveis.

Eu procuro as feridas.

Não para substituir o diagnóstico.

Não para substituir o psiquiatra.

Não para substituir o psicólogo.

E muito menos para dizer que tudo se explica por uma experiência do passado.

Procuro-as porque quero compreender.

Porque uma pessoa não é o seu diagnóstico.

Uma pessoa não é a sua depressão.

Não é o seu pânico.

Não é a sua bipolaridade.

Não é borderline.

Não é a ansiedade.

Não é aquilo que está escrito num relatório.

É uma pessoa.

Com uma história.

Com uma infância.

Com relações.

Com necessidades.

Com medos.

Com recursos.

Com capacidades.

Com feridas.

E, muitas vezes, com uma enorme vontade de ficar melhor, mesmo quando já deixou de acreditar que isso é possível.

É por isso que, quando alguém se senta à minha frente, eu não vejo um diagnóstico.

Vejo alguém que está a sofrer.

E procuro perceber porquê.

Procuro ouvir aquilo que está para além das palavras.

Procuro compreender aquilo que o comportamento está a tentar dizer.

Procuro as feridas.

E procuro também os recursos que essa pessoa desenvolveu para sobreviver a elas.

Porque não somos apenas aquilo que nos aconteceu.

Somos também aquilo que fizemos com aquilo que nos aconteceu.

E talvez seja essa uma das coisas mais importantes que podemos oferecer a alguém:

não olhar para ela como um problema que precisa de ser corrigido, mas como uma pessoa que precisa de ser compreendida.

Às vezes, antes de querermos mudar alguém, precisamos simplesmente de conseguir vê-la.

Sem o rótulo.

Sem a etiqueta.

Sem o diagnóstico.

Ver a pessoa.

E começar daí.

"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana."

Carl Jung


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MarioRuiSantos.net

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