Solidão

"Vou dizer-te o que os eremitas perceberam: Se fores para uma floresta muito, muito distante e ficares em completo silêncio, vais compreender que estás ligado a tudo."
- Allan Watts
A solidão incomoda muitos de nós.
Sentirmo-nos sozinhos, abandonados, rejeitados, excluídos, à parte, desamparados… pode fazer-nos sofrer profundamente.
A solidão toca pontos da nossa história. Toca antigas feridas. Pode acordar memórias, medos e necessidades que talvez tenhamos passado uma vida inteira a tentar calar.
E, por isso, fazemos tudo para não a sentir.
Procuramos pessoas. Ruído. Actividade. Conversas. Relações. Distracções.
Qualquer coisa que nos impeça de ficarmos a sós com aquilo que sentimos.
Mas talvez exista algo de muito poderoso do outro lado dessa dor.
Talvez a solidão seja uma espécie de cortina que precisamos de atravessar.
Porque, quando conseguimos ficar connosco próprios, quando deixamos de fugir, de resistir e de lutar contra a sensação de estarmos sós, podemos descobrir algo profundamente libertador:
Estar sozinho não significa estar abandonado.
Podemos sentir a ausência dos outros sem nos sentirmos ausentes de nós próprios.
E talvez seja precisamente aí que a solidão começa a transformar-se.
Deixa de ser apenas um vazio.
E pode tornar-se um encontro.
Um encontro connosco.
E, por vezes, descobrimos que aquilo que mais procurávamos nos outros era, afinal, a nossa própria capacidade de não nos abandonarmos.
Assim vamos fazendo o caminho.
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