Avançar para o conteúdo principal


Amor próprio – Um dos amores mais importantes da nossa vida
(artigo publicado na Revista Saúde Actual - Mar/Abr)

“Você, assim como qualquer pessoa no universo inteiro, merece o seu amor e a sua afeição.”
— Buddha
Pode parecer repetitivo, batido, monótono… este tema do amor próprio.
No entanto, continua-se a verificar que a falta desse amor próprio é o problema que podemos encontrar mais presente e a montante de muitas perturbações emocionais e sociais.
E poucas vezes se vê esse défice como “o assunto” a ser trabalhado – isto porque se vai naturalizando esse mesmo problema em cada um de nós.
Por isso vale a pena trazer este tema para a reflexão recorrentemente e de alguma forma ir deixando-o presente como um assunto incontornável na dimensão do bem-estar emocional e do desenvolvimento pessoal.
O amor próprio é um dos pilares centrais do desenvolvimento pessoal e espiritual, porque a relação que temos connosco define todas as outras relações da nossa vida. A forma como pensamos, sentimos e agimos nasce do diálogo interno que mantemos diariamente. Se esse diálogo é crítico, punitivo ou carente, toda a experiência externa será influenciada por essa base frágil. Se, pelo contrário, é compassivo, consciente e respeitador, cria-se um alicerce sólido para crescer de forma equilibrada.
No plano do desenvolvimento pessoal, o amor próprio está directamente ligado à auto-estima, à auto-confiança e à capacidade de estabelecer limites saudáveis. Quando não nos valorizamos, tendemos a procurar validação constante no exterior, a aceitar situações que nos diminuem e a viver com medo da rejeição ou do abandono. Muitas escolhas passam a ser feitas para agradar, evitar conflitos ou garantir aceitação. Isso gera frustração, ressentimento e, muitas vezes, auto-sabotagem.
Cultivar amor próprio implica assumir responsabilidade pela própria vida. Significa reconhecer fragilidades sem se vitimizar, aceitar imperfeições sem se desvalorizar e trabalhar feridas emocionais sem fugir delas. É um compromisso interno de crescimento. Quem se ama não ignora as próprias sombras; pelo contrário, encara-as com honestidade e decide transformá-las. Essa postura gera autonomia emocional e reduz a dependência de aprovação externa.
Do ponto de vista espiritual, o amor próprio é um acto de reconhecimento do valor intrínseco da própria existência. Não se trata de superioridade ou egocentrismo, mas de consciência. Ao aceitarmo-nos como somos, com luz e sombra, aproximamo-nos da nossa essência. Essa integração interna promove coerência entre pensamento, emoção e acção, criando alinhamento e propósito. Sem aceitação interna, há fragmentação; com aceitação, há unidade.
É importante distinguir amor próprio de narcisismo. Narcisismo é inflar o ego para esconder inseguranças. Amor próprio é cuidar de si com respeito e responsabilidade. Não significa colocar-se acima dos outros, mas compreender que só podemos oferecer ao mundo aquilo que cultivamos internamente. Quem vive em carência emocional tende a exigir do outro o que não consegue dar a si mesmo. Já quem desenvolve amor próprio partilha, em vez de cobrar.
Além disso, o amor próprio sustenta a capacidade de resiliência. Diante de falhas ou perdas, em vez de auto-crítica destrutiva, surge a autocompaixão. Em vez de desistência, surge aprendizagem. Esse posicionamento interno transforma desafios em oportunidades de evolução.
Em última análise, trabalhar o amor próprio é um processo contínuo de auto-conhecimento e auto-aceitação. Não é um destino final, mas um caminho. À medida que crescemos, somos convidados a aprofundar essa relação connosco. E quanto mais sólida ela se torna, mais livres nos sentimos para viver com autenticidade.
O verdadeiro desenvolvimento pessoal e espiritual começa quando deixamos de tentar provar o nosso valor ao mundo e passamos a reconhecê-lo dentro de nós. A partir desse ponto, o crescimento deixa de ser uma busca por aprovação e torna-se uma expressão consciente de quem realmente somos.
Assim se vai fazendo o caminho.
Mário Rui Santos
hipnoterapeuta – www.Hipnose-Motivacao.net
formador da Hypnos/A-GPHM – www.Hipnoterapia.pro
presidente da Associação-Grupo Português de Hipnose e Motivação
*a pedido do autor, este texto não segue as normas do acordo ortográfico

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um caminho para a Luz, apenas um caminho...

Falamos e ouvimos falar tanto da Luz. De uma Luz. Uma Luz que nos ilumina, que nos acompanha, que está dentro de nós. Para alguns essa Luz é Deus, para outros o Universo, a força do Universo, a Energia Universal, o Ki, o Amor, a Paz. A Luz é tanto em nós e quanto mais nos sentimos no seu caminho mais a enriquecemos conceptualmente, tornando-a mais rica e poderosa. Para outros que se sentem distantes deste conceito, admitir a possibilidade de uma Luz, que ilumina e acompanha o seu ser é uma proposta de alienação do seu próprio conhecimento ou auto-construção. É algo que não faz sentido porque os distrai de si mesmos. A estes direi que a Luz de aqui falo-escrevo é também exactamente isso: o seu próprio conhecimento e força de construção. Assim, seja você uma pessoa mais racional ou uma pessoa mais espiritual, a proposta de caminho que aqui lhe deixo é uma proposta pragmática e universal. Que será tanto ou mais espiritual, tanto ou mais racional, conforme o seu próprio sistema de crenças ...
Quando uma relação de amizade, familiar ou amorosa é cortada ou terminada e vemos que a pessoa ou pessoas do outro lado parecem ficar pouco ou nada afectadas com esse distanciamento que fica poderemos sentir-nos bastante magoados. E isso acontece porque o que se observa toca em necessidades humanas profundas de pertencimento, valorização e reciprocidade emocional. Quando vemos que a outra pessoa parece não se afectar com o afastamento, podemos sentir como se a nossa importância fosse diminuída ou até inexistente para ela. O que mais costuma magoar nesse contexto inclui: Sentimento de desvalorização – A ideia de que a relação poderia ter significado pouco para o outro gera dor, pois esperamos que laços que foram importantes para nós também sejam reconhecidos e sentidos por quem os compartilhou. Ferida no ego e na autoestima – Inconscientemente, podemos interpretar a falta de reacção como se houvesse algo "errado" connosco, como se não tivéssemos sido suficientemente bons ou di...
A utilidade da raiva (artigo publicado na revista Saúde Actual - Julho/Agosto 2025) "Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar a minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. A nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo." -         Mahatma Gandhi   A raiva é uma emoção humana primária bastante intensa, geralmente despertada quando sentimos que algo está errado, injusto, é ameaçador ou frustrante. Tem componentes físicos (tensão, aceleração cardíaca) e psicológicos (pensamentos de crítica, desejo de agir) e é uma reação natural que faz parte do nosso sistema de defesa — uma forma do corpo e da mente dizerem: "Algo precisa mudar." E pode ser expressa, reprimida ou canalizada. Normalmente, no meu trabalho como terapeuta agrego à raiva a revolta, a ira, a zanga… como uma espécie de amálgama emocional à qual deveremos dar uma especial atenção para a sua compreensão e ...