A fronteira
A fronteira entre nos sentirmos vítimas de um passado difícil ou heróis-resistentes desse mesmo passado é incrivelmente difícil de atravessar. Às vezes parece uma muralha de betão intransponível que se alimenta da nossa dor, fazendo o sofrimento persistir. Alimentado pela nossa legítima mágoa ou compreensível ressentimento. Mas, respeitando profundamente tudo o que foi vivido, atravessar essa fronteira é mesmo possível. E eu tenho tido a sorte de aprender com vários Mestres esse trabalho tão difícil e esse caminho que parece "impossível". E todos eles me mostram que a muralha de betão existe. Mas nós não somos a muralha. Somos quem pode olhar para ela, tocá-la, e decidir que não precisa de nos definir para sempre. O que eles me mostram (e que talvez ressoe contigo) é que a vítima vive no passado como prisão. O herói-resistente vive no passado como solo. O solo é duro, tem pedras, mas é exatamente aí que se planta algo novo. O compreensível ressentimento é uma forma de le...