Autoestima 2.0 (artigo escrito para a Revista Saúde Actual - edição Jan/Fev 2026)
“Tens valor simplesmente por existires. Não pelo que fazes ou pelo que fizeste, mas simplesmente por seres quem és.”
— Max Lucado
Falar de autoestima hoje é especialmente importante porque estamos a viver um momento único: nunca fomos tão expostos a comparações, padrões inalcançáveis e cobranças internas.
Isso não significa, necessariamente, que exista uma “epidemia”, mas muitos especialistas apontam para um aumento perceptível de insegurança, autocrítica excessiva e sensação de inadequação — especialmente influenciadas por redes sociais, ritmo acelerado de vida e pressões sociais.
Existe uma sensação coletiva de insuficiência — não porque as pessoas valham menos, mas porque estão sob estímulos que favorecem a comparação e a autocrítica.
Por isso, falar de autoestima é uma forma de promover consciência, equilíbrio e compaixão consigo mesmo.
O que é Autoestima
E quando se fala de autoestima refere-se a avaliação que uma pessoa faz de si própria. Ela envolve a percepção e a valorização que temos da nossa própria capacidade, valor e adequação.
A autoestima está relacionada com a forma como nos vemos, com a nossa confiança, com as nossas capacidades e habilidades e o nosso sentido de autovalor.
Uma pessoa com alta autoestima tende a ter uma visão positiva de si mesma, a acreditar nas suas habilidades/capacidades e enfrentar desafios com confiança - “Sou suficiente! Não tenho de provar o meu valor!.. “
Por outro lado, uma pessoa com baixa autoestima tende a ter uma visão negativa de si mesma, duvidar das suas capacidades e a sentir-se inadequada.
Autoestima e Amor-próprio
Muitas vezes confunde-se autoestima com amor-próprio, mas o amor-próprio é um conceito mais amplo e profundo. Ele refere-se ao respeito, cuidado e aceitação que temos por nós mesmos, independentemente da nossa avaliação subjetiva ou do nosso desempenho.
O amor-próprio envolve a compreensão de que somos dignos de amor, respeito e felicidade, independentemente das nossas falhas, imperfeições ou do que os outros pensam de nós.
Ter amor-próprio implica cuidar de si mesmo, estabelecer limites saudáveis, priorizar o bem-estar e tratar-se com compaixão - “Coloco limites e digo não, sempre que necessário! Não aceito que me desrespeitem!...”
A autoestima está mais relacionada com a percepção e valorização das nossas capacidades e adequação, enquanto o amor-próprio abrange um sentido mais amplo de respeito, aceitação e cuidado para consigo mesmo, independentemente das nossas qualidades ou desempenho.
Ambos são conceitos importantes para o bem-estar emocional e o desenvolvimento pessoal, mas importa abordá-los de forma diferenciada.
Autoestima vs. Egoísmo
Importa também lembrar que a Autoestima nada tem a ver com egoísmo, egocentrismo, narcisismo ou arrogância.
A diferença central está no foco e na relação com os outros.
A autoestima é um sentimento interno de valor próprio e respeito, que é equilibrado e permite o respeito pelos outros.
Os demais termos (narcisismo, egocentrismo, arrogância, egoísmo) são caracterizados por uma preocupação exagerada consigo mesmo à custa ou com o desprezo pelas necessidades e sentimentos dos outros.
Por isso, é bom não nos inibirmos de trabalhar a nossa autoestima assumindo que estamos a ser egoístas ou algo do género.
São coisas bem diferentes.
Causas e Origens
Se quisermos reflectir sobre as causas ou origens dessa baixa autoestima percebemos que em muito têm a ver com o nosso passado, mas também em muito têm a ver como vivemos o momento presente.
Podemos precisar de ajuda para tomar mais consciência dessas nossas experiências do passado e do seu impacto em nós, bem como para as ressiginificar ou reinterpretar.
(E é bom lembrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza mas sim de coragem.)
Mas também podemos assumir a responsabilidade de mudar algumas atitudes e comportamentos que parecem manter essa autoestima baixa na nossa vida presente.
Implicações e consequências
A baixa autoestima não é apenas um "sentir-se mal" consigo mesmo, mas sim um alicerce emocional que, quando abalado, afecta todas as áreas da vida: relacionamentos (busca por validação externa, tolerância a abusos); carreira (procrastinação, medo de se destacar, medo de mudar ou inovar) e saúde mental (ansiedade, depressão, isolamento…).
Autoestima 2.0 – a reconstrução
Esta coisa de acharmos que não somos suficientemente bons, que não estamos à altura, que temos de provar o nosso valor aos outros... é apenas e só uma mentira em que começámos a acreditar muito cedo na nossa vida.
Termos nascido é um milagre. Sermos humanos é uma dádiva. Estarmos vivos é uma bênção.
E este é o ponto de partida. Daqui se abre o horizonte.
A autoestima não nasce pronta, não é algo que se obtenha instantaneamente — ela é construída todos os dias, nos pequenos gestos de cuidado, respeito e gentileza para connosco próprios.
Valorizando quem somos hoje - com todas as nossas imperfeições e falhas - enquanto caminhamos em direcção ao que desejamos ser amanhã.
E se precisarmos de ajuda para o fazer, procuramo-la.
Assim se faz o caminho.
Mário Rui Santos
hipnoterapeuta
formador da Hypnos/A-GPHM – www.Hipnoterapia.pro
presidente da Associação-Grupo Português de Hipnose e Motivação – www.Hipno.pt
*a pedido do autor, este texto não segue as normas do acordo ortográfico
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Se tiver interesse em aceder ao meu webinar/seminário online "Auto-estima 2.0" envie-me mensagem para hipnose.portugal@gmail.com ou por tmvl/whatsapp: 964596010
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