Ciúme, inveja, cobiça, comparação... são atitudes, sentimentos ou emoções que não surgem por "maldade", mas sim como mecanismos de defesa e adaptação que nos acompanham desde os primórdios da humanidade.
São emoções de "protecção" que, embora desconfortáveis, tentam manter-nos competitivos e seguros num ambiente social.
No passado, se um membro da tribo acumulava mais comida ou poder, isso poderia significar menos recursos para os outros. A inveja funcionava como um alerta biológico: "Atenção, tu estás a ficar para trás na hierarquia de sobrevivência".
Também nos primórdios da humanidade garantir que um parceiro ou aliado permanecesse fiel era essencial para a criação da prole e para a segurança do grupo.
E o ciúme surgiu como preservação de vínculos bem como para proteger investimentos emocionais e reprodutivos.
Psicologicamente, como não temos uma régua absoluta para "sucesso" ou "felicidade", usamos o vizinho como métrica.
Fazemos uma comparação ascendente e olhamos para quem está melhor (gera inveja). Ou fazemos uma comparação descendente e olhamos para quem está pior (gera alívio ou orgulho).
Na nossa educação se os nossos cuidadores foram inconsistentes, poderemos desenvolver um "apego ansioso", onde qualquer sinal de distância é interpretado como uma ameaça de abandono iminente - gerando inveja ou ciúme.
Socialmente é-nos passada a idéia de que "não há o suficiente para todos", alimentando a inveja. Se o sucesso é visto como um bolo de tamanho fixo, a fatia do outro necessariamente diminui a nossa.
Para além disso, as redes sociais criam um ambiente de comparação constante e artificial, onde somos expostos apenas ao "palco" dos outros, o que gera um sentimento de inadequação constante (a raiz da inveja moderna).
. . .
É bom lembrar que a raiz de todos estes sentimentos é o medo.
Medo de ser insuficiente, medo de perder o que amamos, medo de não termos que chegue ou medo de sermos excluídos do grupo.
Quanto mais "blindados" estivermos em relação ao nosso valor com uma boa auto-estima e suficiente amor próprio; quanto mais nos sentirmos conectados e em paz connosco... menos expostos estaremos a estes difíceis sentimentos e emoções.
E se os tivemos no passado ou se de vez em quando ainda aparecem estes sentimentos ou emoções, olhemos para eles (para nós) com a possível compaixão para nos irmos ensinando a pensar e a sentir diferente.
Confiando mais em nós e estando mais em paz connosco, faremos um bom caminho - sem invejarmos, sem ciúmes, sem comparações ou sem cobiça.
. . .
Comentários