Imagina seres mordido por uma cobra e...
Imagina seres mordido por uma cobra e, em vez de te focares em obter ajuda e tratar a ferida, corres atrás da cobra a exigir saber por que razão o fez, insistindo que não o merecias.
Em vez de reagires com urgência, percebendo que foste mordido e que o veneno se está a espalhar, ficas ali a olhar para a cobra incrédulo. A sério, por que farias isso? Eu não merecia isto.
Argumentas como se a cobra te devesse subitamente uma explicação ou algum tipo de justificação, enquanto o veneno continua a espalhar-se pelo teu corpo.
É exactamente isso que muitas pessoas fazem quando são magoadas por alguém. Procuram respostas em vez de aceitarem que o dano já foi feito e a sua prioridade deveria ser a autopreservação.
Existe a crença de que compreender a razão irá, de alguma forma, suavizar a dor. No entanto, saber o porquê nunca extrai o veneno.
Algumas cobras mordem porque essa é a sua natureza. Não porque o mereceste, não porque o causaste e não porque poderias ter evitado.
A cura começa no momento em que paras de perseguir o que te magoou e começas a prestar atenção à tua própria ferida. Porque, enquanto exiges clareza, continuas a sangrar.
A recuperação não requer uma explicação. Requer aceitação, separação e a decisão de te afastares antes que o veneno se instale ainda mais profundamente.
Assim se vai fazendo o caminho.
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