ACEITAR, pode não ser uma coisa fácil.


ACEITAR, pode não ser uma coisa fácil. Especialmente se no passado de cada um de nós tivermos episódios de situações em que nos disseram que devíamos de aceitar coisas que na verdade não deveríamos de aceitar.
Sim, aceitar nem sempre é fácil.
Muitos de nós carregamos cicatrizes de situações em que fomos pressionados (por família, relacionamentos, religião, sociedade ou até por nós mesmos) a “aceitar” coisas que eram inaceitáveis: desrespeito, abuso emocional, manipulação, injustiças, ou a negação da nossa própria dor e limites.
Quando isso acontece repetidamente, a própria ideia de “aceitar” pode ficar contaminada.
Passamos a associá-la a submissão, fraqueza ou autoabandono.

Aceitação saudável vs. aceitação tóxica
Existe uma diferença crucial

Aceitação tóxica é quando nos forçam (ou nos forçamos) a engolir algo que viola nossos valores, nossa dignidade ou nossa integridade.
É o “engole e cala”.

Aceitação madura é reconhecer a realidade do que aconteceu ou do que é, sem gastar energia lutando contra o que já não pode ser mudado — mas mantendo a capacidade de dizer “não” ao que ainda podemos recusar.
É o oposto de resignação. É paz com os fatos + liberdade de ação.

Por exemplo:
Aceitar que uma pessoa que nos magoou profundamente talvez nunca mude (realidade).

Não aceitar continuar sendo magoado por ela (limite).

O passado torna isso mais difícil porque cria desconfiança no acto de aceitar.
O cérebro aprende: “Da última vez que aceitei, magoei-me.”
Então ele entra em modo de hiperproteção e rejeita qualquer forma de rendição ou paz interior.

Como navegar nessa questão?
Diferenciar o que realmente precisa ser aceite do que precisa ser confrontado ou deixado para trás.

Reconhecer a dor primeiro.
Muita gente tenta “aceitar” sem antes validar o que sentiu. Isso não funciona. A ferida precisa ser vista.

Reconstruir a confiança na própria capacidade de discernir.
Aceitar não significa que você é fraco ou que vai aceitar tudo de novo. Significa que você está mais forte e mais sábio agora.

Às vezes, a maior aceitação é aceitar que não conseguimos aceitar ainda. E isso também está ok.

Outras vezes o caminho passa mesmo por não aceitar e abrirmos outro caminho.
Umas vezes aceitando, outras vezes não aceitando.
Assim se faz o caminho.
. . .
«Deus, concedei-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para perceber a diferença entre as duas.»
- Reinhold Niebuhr
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ACEITAR – Um processo - https://youtu.be/dUkVHZuvPHo
(duração: 1h36m)
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MarioRuiSantos.net

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