A VARINHA MÁGICA INTERIOR
Existe uma espécie de varinha mágica dentro de nós.
Não muda o que aconteceu.
Não faz desaparecer uma injustiça.
Não transforma o errado em certo.
Não apaga uma desilusão.
Não faz com que aquilo que nos magoou nunca tenha acontecido.
Mas pode ajudar-nos a mudar uma coisa muito importante:
a importância que continuamos a dar-lhe.
É uma escolha mental.
Podemos dizer a nós próprios:
“Isto que aconteceu foi injusto.”
“Foi errado.”
“Foi desnecessário.”
“Eu não merecia que me tratassem assim.”
“Tenho todo o direito de me sentir magoado, triste ou zangado.”
E depois acrescentar:
“Mas as coisas foram como foram.”
“Eu não posso mudar o que aconteceu.”
“E não quero continuar a carregar isto dentro de mim da mesma maneira.”
“Por isso, escolho dar-lhe menos importância.”
Isto não é resignação.
Não é dizer que aquilo foi correcto.
Não é perdoar à força.
Não é fingir que não doeu.
É deixar de alimentar aquilo que já nos alimentou de dor suficiente.
Há acontecimentos que não podemos tornar justos.
Há pessoas que não podemos mudar.
Há palavras que não podemos retirar.
Há acontecimentos que não podemos fazer desaparecer.
Mas podemos, pouco a pouco, escolher quanto espaço lhes continuamos a dar dentro de nós.
Talvez essa seja uma das formas mais bonitas de liberdade:
não podermos mudar aquilo que aconteceu, mas podermos escolher o poder que isso continuará a ter sobre nós.
A varinha mágica não muda o passado.
Muda a nossa relação com ele.
Assim vamos fazendo caminho.
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MarioRuiSantos.net
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