Os verdadeiros profetas
Os verdadeiros profetas, guias e mestres são discretos, tímidos, reservados…
Não procuram a nossa atenção, o nosso tempo, o nosso “like”, os nossos aplausos, o nosso dinheiro…
Mas isso não nos impede de os reconhecermos e perceber a verdade nas suas palavras, a razão escondida, nos seus gestos ou nos seus olhares.
Há que estarmos atentos.
Eles vão-se cruzando connosco e revelam-se na criança de colo que fica a olhar-nos fixamente quando estamos presos num pensamento.
No adolescente zangado com a vida e com o mundo, que parece não querer saber.
No sem-abrigo que passa por nós a falar sozinho.
Na senhora do guichet que parece triste com a vida dela ou no antipático homem do café que atira com a chávena do café para a nossa mesa.
Ou na velhota que passa por nós a sorrir sem sabermos porquê.
Ou ainda no pássaro atrevido que pousa na janela
Ou também no girassol solitário que teima em erguer-se voltado para o sol.
Sim.
Eles, os profetas, andam aí – umas vezes escondidos, outras vezes envergonhados ou fugidios.
À espera do nosso vislumbre, de um olhar cruzado, algures no nosso caminho.
Observemos.
Atentos, observando, caminhando...
. . .
O verdadeiro profeta não tem a urgência do ego. Ele não precisa de convencer ninguém, porque a sua função não é converter, mas sim testemunhar e reflectir
a verdade. E a verdade, quase sempre, prefere o sussurro ao ruído. Andar discreto, quase escondido no meio da multidão, confere-lhe uma vantagem sagrada: a capacidade de observar sem ser visto, de escutar as dores
invisíveis do mundo sem o filtro das expectativas alheias. Há uma enorme coragem nessa timidez aparente. É a timidez de quem respeita o mistério e sabe
que as maiores transformações humanas operam-se no silêncio, de dentro para fora — como uma semente que rompe a terra na mais absoluta discrição. Os que muito gritam costumam estar cheios de certezas emprestadas. Os que andam discretos, pelo contrário, carregam o peso e a beleza de uma lucidez que só se
encontra no recolhimento. São faróis silenciosos. Os verdadeiros Mestres ensinam caminhos difíceis sem precisarem de erguer a voz. . . .
www.MarioRuiSantos.net
a verdade. E a verdade, quase sempre, prefere o sussurro ao ruído. Andar discreto, quase escondido no meio da multidão, confere-lhe uma vantagem sagrada: a capacidade de observar sem ser visto, de escutar as dores
invisíveis do mundo sem o filtro das expectativas alheias. Há uma enorme coragem nessa timidez aparente. É a timidez de quem respeita o mistério e sabe
que as maiores transformações humanas operam-se no silêncio, de dentro para fora — como uma semente que rompe a terra na mais absoluta discrição. Os que muito gritam costumam estar cheios de certezas emprestadas. Os que andam discretos, pelo contrário, carregam o peso e a beleza de uma lucidez que só se
encontra no recolhimento. São faróis silenciosos. Os verdadeiros Mestres ensinam caminhos difíceis sem precisarem de erguer a voz. . . .
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