2007/12/27

"O cérebro e a noção do tempo"


O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reacções internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objectos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr-do-sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente optimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente
colocando suas relações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa...
São apagados de sua noção de passagem do tempo...

Quando você começa a repetir algo exactamente igual, a mente apaga a
experiência repetida.

Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir -as mesmas ruas,
pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações...
enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de
novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...
ROTINA

Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida e optimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo:
M & M (Mude e Marque)
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou
registros com fotos;
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas;

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia);

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de
momentos usuais;

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo,
bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite
parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do
cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo;
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente;
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes;
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências
diferentes;

Seja diferente!

Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras......

V-I-V-A. !!!*

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e
buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais
interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade,
emoção, rituais e vida.

"O cérebro e a noção do tempo"

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal o Estado de São Paulo)

Obrigado Paula :)

7 Comments:

Anonymous t.c. said...

interessante :) valeu

sexta-feira, dezembro 28, 2007 10:39:00 da manhã  
Blogger PaulaNog said...

Amigo,

Sempre que te possa enviar algo elucidenate como este artigo, conta comigo!

Bjs de ternura***

sexta-feira, dezembro 28, 2007 3:45:00 da tarde  
Anonymous jorge a. said...

obrigado à Paula

sexta-feira, dezembro 28, 2007 5:28:00 da tarde  
Anonymous Diana said...

Achei o artigo interessante e penso que sugere formas positivas de vivermos com mais qualidade. Compreendo que a acumulação de informação e o seu processamento nos torna capazes de responder de forma mais rápida e adequada às diversas situações que nos expomos. Mas... o facto de sentirmos o tempo passar mais rapidamente, por vezes, também, se associa há falta de tempo. Quando estamos mais ocupados e mesmo fazendo actividades que nos fazem disfrutar e gozar, o tempo parece que voa. Pelo contrário, se as ocupações são enfadonhas ou não existem de todo, o tempo parece que pára, as horas custam a passar.
Considero que acima de tudo sente-se o Tempo consoante o estado psicológico que vivenciamos.

sábado, dezembro 29, 2007 1:06:00 da manhã  
Blogger Mário Rui Santos said...

Sim, Diana, também me faz sentido e constato isso. O tempo existe em função do que fazemos com ele. Numa hora conseguimos mudar uma vida, a nossa ou a de alguém...

domingo, dezembro 30, 2007 12:22:00 da tarde  
Anonymous agassispensamentos said...

muito boa esse texto muito bom cara !!! vc é psiquiatra ou coisa do tipo?? pretendo seguir essa carreira, e conhecer pessoas como vc e seus conhecimentos é uma aula digna de nota. parabéns tb tenho um blog se quiser conhecer é agassispensamentos.blogspot.com vlew será um prazer sua visita obrigado pela aula sempre tive dificuldade de intender isso, vc explicou como ninguém vlew saúde sucesso.

domingo, janeiro 25, 2009 9:16:00 da tarde  
Blogger Mário Rui Santos said...

Obrigado Agassis, mas este texto não é meu - ele está assinado.
Eu sou hipnoterapeuta. Obrigado pela sua visita. Abraço

segunda-feira, janeiro 26, 2009 9:24:00 da manhã  

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