TENTAR ou FAZER?
Há uma velha ideia no desenvolvimento pessoal que diz que “tentar não é fazer”.
Sedutora. Sonante. Motivacional.
Mas, para muita gente, profundamente bloqueadora.
Isto porque o verbo “tentar” não é o inimigo. O inimigo é a forma como o interpretamos.
No meu trabalho vejo isto vezes sem conta: pessoas que lidam mal com a frustração, que têm medo de falhar, que carregam a sensação de que qualquer passo em falso confirma uma narrativa antiga de insuficiência.
Para estas pessoas, eliminar o verbo tentar não liberta — aprisiona.
Porque tentar não é desistir.
Tentar é aproximar‑se.
Tentar é regular a ansiedade antes de entrar na acção.
Tentar é permitir‑se experimentar sem a ameaça de ter de acertar à primeira.
O verbo tentar é, muitas vezes, o primeiro degrau da coragem.
Quando alguém diz “vou tentar”, não está a anunciar derrota.
Está a abrir espaço para aprender, ajustar, respirar, avançar um pouco — mesmo que ainda não consiga avançar tudo.
E, para quem vive com medo de falhar, este espaço é ouro.
É o lugar onde nasce a tolerância à frustração.
É o lugar onde a acção deixa de ser uma prova e passa a ser um processo.
Por isso, não te apresses a retirar o tentar da tua linguagem, da tua conversa interna.
Às vezes, é exactamente TENTAR que te permite começar.
E assim se vai fazendo caminho.
. . .
Comentários